Descrição do Livro:

CATHERINE KENSINGTON
Eu acordei casada com um homem que diz me amar.
Uso uma aliança que não lembro de ter escolhido.
Vivo em uma casa que parece minha, mas não me pertence.
Tudo em mim parece no lugar. Menos eu.
Há uma vida inteira funcionando ao meu redor.
Uma vida que não lembro e que ninguém sabe me explicar direito.
Mas todos dizem que eu tive sorte. Que sobrevivi. Que estou segura.
Mas nada em mim se sente segura ao lado dele.
Do homem que conhece cada detalhe da vida que eu não lembro.
Xavier Du Point Kensington.
A pessoa que todos dizem que me ama. E talvez ame.
Mas existe algo no jeito como ele me observa que não se parece com cuidado. É como se ele estivesse menos interessado em quem eu sou agora e mais preocupado com quem eu posso me tornar se lembrar. Como se minha memória fosse um risco.
Não para mim, mas para ele.
E talvez seja por isso que algo em mim resista.
Não pela falta de respostas, mas pela forma como todas elas parecem já ter dono.
Talvez o problema não seja o que eu esqueci.
Talvez seja a vida que construí antes de não poder mais lembrá-la.
Porque algumas verdades não precisam ser lembradas para serem temidas.

XAVIER KENSINGTON
Eu sempre soube quem era a minha esposa.
Mesmo quando ninguém mais sabia.
Eu fui o único que conheceu suas ambições.
Eu conheci o que ficava quando as portas se fechavam.
As escolhas que não pediam permissão para existir.
Catherine Amélia Kensington nunca foi simples.
Nunca foi previsível. E jamais foi inocente.
Mas o acidente apagou tudo isso.
E, pela primeira vez, ela não carrega o peso de quem foi.
Disseram que foi uma tragédia. Uma perda irreparável.
Eu chamo de uma segunda chance.
Não para mudá-la. Mas para mantê-la. Uma forma de controlar nossa realidade.
Já que a minha adorável esposa não lembra do passado.
Agora, ela me olha sem saber até onde foi comigo.
Confia sem lembrar do que dividimos.
E enquanto a memória não retorna, posso mantê-la onde sempre esteve.
Só não digo que minha forma de amar sempre foi perigosa demais para ser limpa.
Porque Catherine não pode se lembrar. Não de quem ela foi. Não do que fizemos.
Dizem que isso é manipulação. Eu chamo de cuidado. De proteção.
Talvez um dia Catherine se lembre.
Talvez me odeie por tudo o que não contei.
Mas até lá, ela vai continuar a carregar meu sobrenome, minha proteção e o silêncio que nos mantém intactos. Mesmo que eu precise fazer o que for necessário. Mesmo que eu precise me tornar o vilão da sua história.
Porque eu sempre soube quem era a minha esposa.
E perdê-la, mais uma vez, não é uma opção.

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