
Atração em Fúria
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Eu me conheço. Mesmo sendo gostoso, inteligente e bonitão, sou completamente fodido da cabeça. E é por isso que não me envolvo romanticamente nem tenho amigos, porque sei que amor, para pessoas como eu, não existe. O que existe é obsessão e controle.
Mas aí meu irmão resolveu aceitar um novo integrante no nosso apartamento e me obrigou a dividir o meu quarto. Repito: o meu quarto… com um garoto.
Tudo isso porque ele ficou com pena. O garoto tem Síndrome de Down e quer entrar na universidade, mas os pais não apoiam. Então, claro, meu querido irmão decidiu bancar o salvador e me arrastar junto. Agora eu te pergunto: o que eu tenho a ver com os problemas dele? Nada. Mas, aparentemente, meu irmão acha que tenho.
E, para melhorar, o garoto ainda tem uma cachorra pilantra.
Eu, Apolo, fui obrigado a dividir o meu espaço com um garoto e uma cachorra. É nessas horas que penso que talvez devesse matar alguém.
O nome dele é Romeu.
Ele diz que não tem medo de mim, mas deveria, porque tudo o que eu mais quero é apagar a existência dele.
Eu não gosto dele.
Nem um pouco.
Mas ele continua ali, no meu quarto, falando comigo, sendo carinhoso, chorão, medroso, tímido e me abraçando sem permissão.
E, como se não bastasse, ainda me deu um cofre para guardar os meus pirulitos.
(Meus pirulitos são meu ponto fraco. Tenho certeza de que alguém anda os roubando.)
Admito que isso amoleceu um pouco o coração que eu não tenho.
E, no fim, o resultado foi simples: eu, que não queria dividir o quarto, agora estou com uma cachorra pendurada no meu braço e ameaçando matar qualquer um que chegue perto do meu companheiro de quarto tímido e assustado.
E já que não posso acabar com ele…
AGORA ELE É MEU.
E o mais divertido nisso tudo?
Ele quer ser meu também.
E quer muito.